A comparação sempre foi um desafio na vida das mães. Se antes ela acontecia principalmente entre mulheres do convívio próximo — como vizinhas, amigas e familiares — hoje esse cenário mudou: temos acesso a um número muito maior de mulheres, e suas rotinas e “performances” estão constantemente expostas e observadas.
Com as redes sociais na palma da mão, temos acesso — ainda que limitado — à vida de muitas pessoas. E é importante lembrar que cada uma escolhe mostrar apenas uma pequena parte da sua realidade para um público de desconhecidos. Assim, a rotina parece sempre “redondinha”, a casa está constantemente arrumada, a dinâmica com os filhos funciona de forma ideal, e ainda há espaço para exercícios físicos e alimentação em dia, mesmo diante de toda a demanda materna.
Ao observar tudo o que as mães do Instagram ou do TikTok têm para ensinar, é fácil cair na armadilha da culpa materna. Há um excesso de informações e dicas sobre rotina, organização da casa e criação dos filhos. O difícil, de fato, não é aprender — mas sim encaixar tudo isso em uma realidade que, na prática, não é perfeita.
Se o conteúdo encontrado nas redes sociais não for adequadamente filtrado para caber na realidade de cada família, o cérebro pode fazer uma interpretação errada, buscando uma “casa perfeita” ao invés de uma “casa real”. Sabemos que a vida que cabe num post não é a vida que cabe na realidade. Além disso, existe uma grande exposição de estilos de vida que não são compatíveis com o da maioria das pessoas — como ter três babás, parcerias com marcas de produtos que facilitam o dia a dia, entre muitos outros privilégios que o poder aquisitivo traz.
É possível aproveitar o conteúdo das telas sem comprometer sua saúde mental. Veja alguns passos práticos que podem ajudar:
1. Deixe de seguir (sem culpa)
Se o conteúdo de alguma página não te traz sensação de acolhimento, de leveza ou ajuda genuína, pare de seguir. Não permita que o engajamento alheio cresça às custas da sua saúde mental.
2. Proteja seu momento de vulnerabilidade
Quando você está cansada ou desanimada, é natural buscar inspiração e conselhos na internet. Porém, é justamente nesses momentos que seu cérebro está mais propenso a fazer comparações injustas, interpretando como realidade absoluta aquilo que, muitas vezes, é apenas um recorte cuidadosamente selecionado da vida de outras pessoas.
3. Na vida real não tem filtro, nem edição
O que cabe num reels ou num stories não é o que cabe no seu dia a dia. Na vida real, o filho toma banho sem trilha sonora com música fofa, a louça não se lava num estalar de dedos e, por trás dos vídeos que você vê, também existe o caos real da maternidade — ele só está escondido pelas edições.
4. Deixe o celular por um tempo. Isso é sério!
Nada de ruim vai acontecer se, por 30 minutos do seu dia, você ficar sem olhar para a tela do celular. Você pode aproveitar esse tempo para se conectar com coisas simples, como apreciar um café, respirar fundo ou ouvir uma música de que gosta. Por menor que seja o tempo que você escolher ficar desconectada das redes, já ajuda a reduzir a sobrecarga de informações e a diminuir a tendência à comparação.
“Nasce uma mãe, nasce uma culpa” é uma frase clássica que define o sentimento materno de muitas mulheres. Mas a ideia aqui, neste espaço, é desplugar a tomada que nos conecta a um vídeo de 15 segundos como se ele fosse o dono da verdade sobre educação positiva e rotina perfeita. Essa ilusão só produz mães inseguras, ansiosas e desconectadas de si mesmas.
As redes sociais podem ser fontes de dicas e inspirações, mas desde que isso te ajude a valorizar ainda mais a vida que você já tem.
Você pode ser uma ótima mãe sem precisar dar um CTRL+C e CTRL+V em tudo o que vê nas telas. Afinal, nossos filhos não precisam de mães perfeitas; eles precisam de mães presentes, humanas e suficientemente boas.
Como Recuperar a Autoestima: 9 Dicas para Se Sentir Melhor Consigo Mesma
Antes de listar qualquer dica para você aplicar no dia a dia, vale a pena definir o termo autoestima para muito além da satisfação com a imagem pessoal, especialmente sobre o corpo.
A autoestima fala sobre o valor que você se dá, baseado nas crenças que tem de si mesma. Se a sua autoestima está baixa ou alta, isso vai depender do quão satisfeita você se percebe quanto às suas capacidades, habilidades, imagem e qualidades.
Uma pessoa com autoestima elevada está satisfeita com seu jeito de ser, tem confiança nas decisões que toma e consegue compreender suas falhas com acolhimento e respeito.
Se você tem percebido a necessidade de melhorar a forma como se vê, vou compartilhar dicas comportamentais práticas que vão te ajudar a construir uma relação muito melhor com você mesma.
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1. Não se compare
Quando você usa a vida de outra pessoa como base para definir seu nível de satisfação, está ignorando que cada ser tem sua própria história, seu jeito de ver o mundo e sua própria jornada. Além de destruir sua autoestima, a comparação gera ansiedade e sofrimento, dificultando a construção de uma autopercepção saudável e realista.
2. Valorize suas conquistas
Mesmo as menores vitórias precisam ser reconhecidas. Diga a si mesma o quanto você foi incrível ao conseguir realizar algo: seja tomando uma decisão positiva, gostando do jeito que arrumou o cabelo ou batendo sua meta de passos do dia. Parabenize-se de forma genuína.
3. Relacione-se com quem te incentiva
Estar cercada de pessoas que te respeitam, te enxergam de verdade e apoiam o seu crescimento é um divisor de águas. Relações saudáveis ajudam a fortalecer a sua confiança e servem como um espelho positivo.
4. Mude o que pode ser mudado
Se você não gosta de algo em si mesma, tente mudar isso quando possível, mas sem se criticar excessivamente como se fosse incapaz de ser melhor. Faça uma atualização dos seus conhecimentos, mude o corte de cabelo ou adote um novo hábito, desde que sejam movimentos que favoreçam a imagem que você tem de si.
5. Tenha autocompaixão
Todos nós cometemos erros, mas a forma como lidamos com as falhas muda tudo. Se você conseguir enxergar novas oportunidades e aprendizados a partir dos seus tropeços, vai se sentir muito melhor do que se ficasse se punindo e se criticando por ter errado.
6. Dedique um tempo para você
Faça mais das coisas que te trazem alegria. Tire um tempo para ler, relaxar, tomar um café quente, ver um filme ou praticar um hobby. Mas faça isso de forma consciente, repetindo para si mesma: “Estou cuidando de mim ao fazer isso”.
7. Valorize seus pontos fortes
Vale a pena ter uma lista, mesmo que mental, das coisas que você aprecia em si mesma. Quando a insegurança bater, olhe para essas qualidades com carinho e lembre-se de quem você é.
8. Estabeleça limites saudáveis
Aprender a dizer “não”, quando necessário, é uma das maiores formas de respeitar suas próprias necessidades. Quando você estabelece limites claros, demonstra para si mesma que o seu bem-estar é tão importante quanto o dos outros.
9. Busque a ajuda necessária
Em alguns momentos, a baixa autoestima pode estar profundamente ligada a experiências difíceis do passado, traumas ou questões emocionais complexas. Nesses casos, contar com o apoio de um psicólogo é fundamental para guiar seu processo de autoconhecimento e fortalecimento emocional.
Sua autoestima não precisa ser perfeita. Ela é construída diariamente, por meio das escolhas que você faz, da forma como fala consigo mesma no silêncio dos seus pensamentos e do cuidado que dedica à pessoa mais importante da sua vida: você
