Você chegou no fim de um dia cheio, realizou muitas tarefas entre trabalho, casa, filhos e, na hora de encerrar, teve aquela sensação de que não foi produtiva? Ou então, na hora de se deitar e descansar, se pega ainda pensando em tudo o que precisa ser feito ou no que não foi possível resolver hoje?
Se você se identifica com isso, quero trazer uma boa notícia: você não está sozinha. A maioria das mulheres enfrenta essa dor de um trabalho que não é visto, mas que exige planejamento, organização e execução. E esse trabalho invisível geralmente causa o que vamos chamar aqui de carga mental feminina.
Apesar de os papéis familiares passarem por mudanças, ainda são as mulheres que dedicam o maior espaço de tempo para as tarefas domésticas e o cuidado com as pessoas da casa, sejam os filhos ou os parceiros. Essa responsabilidade demanda muita energia física e mental. Planejar, lembrar, acompanhar a vida escolar, antecipar as necessidades da família e, para a maioria das mulheres, ainda trabalhar fora de casa exige muito mais do que aquilo que é visto.
Dá para observar nessa conversa que não estamos falando apenas sobre realizar uma tarefa. Gerenciar a rotina tem um peso significativo. Você pode pedir para alguém retirar o lixo ou instruir os filhos sobre o momento de iniciar os deveres da escola, mas o fato de ter que delegar e pedir continua mantendo a responsabilidade mental daquilo tudo nas suas costas.
Alguns sinais de que você está mentalmente sobrecarregada:
- Está sempre pensando no que precisa fazer no futuro, mesmo no seu tempo de descanso;
- Tem dificuldade de desligar a mente para conseguir relaxar;
- Sente que precisa se lembrar de tudo, caso contrário a casa não vai funcionar bem;
- Fica irritada por precisar pedir ajuda constantemente;
- Acorda cansada, mesmo depois de uma noite inteira de sono;
- Não tem energia para fazer coisas, mesmo aquelas que são prazerosas.
Se identificou com esses sinais? Então o próximo passo é entender que você não é um robô com defeito. Você não precisa chutar o balde e, muito menos, aceitar que está condenada a viver nesse modo automático para sempre.
Vamos então para a prática buscar aliviar o dia a dia?
Guia prático para deixar de ser a “gerente” da casa inteira
- Tire da cabeça e coloque no papel: Não se force a lembrar de tudo. Deixe anotado em um lugar fácil de ser visto, para que outras pessoas na casa também tenham acesso. Use aplicativos, quadros na geladeira ou agendas digitais.
- Divida a gestão: Não divida apenas a execução da tarefa. Converse com os membros da casa para que outra pessoa assuma a responsabilidade total por algumas áreas.
- Desapegue do “padrão”: Para que os outros possam assumir novos papéis, você também precisa confiar e aceitar que as coisas podem ser feitas de um jeito diferente do seu.
- Converse com a sua família: Mostre as suas vulnerabilidades sem vergonha. É importante que você seja compreendida e receba apoio. Assim, a rotina e o ambiente ficam mais leves para todos.
- Cuide de si mesma: É muito fácil cuidar de todos e se deixar por último. Faça um esforço consciente para incluir pequenos momentos de autocuidado no meio da correria.
- Coloque um limite para “apagar as luzes”: Determine um horário do dia para dar as tarefas por encerradas. Por exemplo: o que não foi possível realizar até as 20h entra automaticamente para a lista de afazeres do dia seguinte.
Você não precisa dar conta de TUDO para sentir que foi eficiente. O “bom o suficiente” já significa que você deu o seu melhor, e isso basta. Pequenas mudanças na divisão das responsabilidades podem transformar completamente o bem-estar de toda a sua família.
